Mulheres que inspiram: servidoras da Alece no combate à violência contra a mulher
Por Julyana Brasileiro31/03/2025 15:55 | Atualizado há 2 dias
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O combate à violência contra a mulher é a principal bandeira de luta das servidoras da Procuradoria Especial da Mulher (PEM) da Alece.
Nesta última matéria da série produzida pelo Núcleo de Comunicação Interna para reconhecer o trabalho das servidoras da Casa em alusão ao Mês da Mulheres e aos 190 anos da Alece, destacamos a atuação de um time predominantemente feminino que tem um papel primordial: o de encorajar mulheres de todo o Estado a romperem com o ciclo de violência e sensibilizar a sociedade para a erradicação dessa violência.
Seja prestando acolhimento psicológico, assessoria jurídica ou assistência social o enfrentamento à violência contra a mulher é uma luta diária que conta com a dedicação de cerca de 15 profissionais da PEM.
A PEM atua em muitas frentes para promover prevenção e empoderamento. Foto: Dário Gabriel.
O órgão da Alece tem como procuradora especial a deputada Juliana Lucena (PT) e as deputadas Larissa Gaspar (PT), Emília Pessoa (PSDB) e Luana Régia (Cidadania) como procuradoras adjuntas.
A equipe multidisciplinar que realiza um atendimento humanizado é coordenada pela servidora Erica Praciano, que defende a importância do combate à violência contra a mulher e da luta pela igualdade de direitos. Para ela, sua missão de coordenar o equipamento é um misto de responsabilidade e alegria por impactar positivamente na vida de tantas mulheres que enxergam no equipamento uma saída para encerrar o ciclo de violência.
"Temos desafios, mas também é muito prazeroso quando a gente vê que vidas são impactadas. Aqui na Procuradoria a gente tem esse papel de acolher as mulheres, atender de forma humanizada e direcioná-las para a rede de atendimento municipal ou estadual. Realizamos campanhas de conscientização, palestras, rodas de conversa para levar para a sociedade a discussão dessa temática e reforçar que a gente busca respeito, igualdade e equidade de gênero'', explica.
Coordenadora Erica destaca que a PEM é referência para o Estado. Foto: Dário Gabriel.
Ela ressalta que na PEM a mulher é tratada com prioridade diariamente, mas que em meses específicos campanhas são realizadas para sensibilizar a sociedade sobre a luta em defesa das mulheres, a exemplo da campanha Agosto Lilás e do Laço Branco, em dezembro, que busca incentivar a participação dos homens no combate à violência contra as mulheres e na luta pela igualdade de direitos.
“A Procuradoria tem um papel primordial, porque é espelho para as procuradorias municipais e para os outros equipamentos do Estado, tanto a nível de estrutura, a nível de qualificação de equipe, na realização de atividades. Temos feito um grande trabalho para impactar vidas”, aponta Erica.
Acolhimento e informação
Para Lisa Tavares, psicóloga da Procuradoria Especial da Mulher, atuar diretamente no acolhimento das mulheres vítimas de violência representa mais que uma função, é uma missão de vida. Ela aponta que o atendimento psicológico é um suporte fundamental para que essas mulheres consigam se fortalecer emocionalmente e enxergar novas possibilidades.
“Muitas chegam aqui fragilizadas, isoladas, sem vínculos familiares e o acompanhamento psicológico ajuda na reconstrução da autoestima e no rompimento do ciclo de violência. Cada mulher que consegue sair de uma situação de violência representa uma vitória pra nós, para ela e para toda uma rede de pessoas ao seu redor, incluindo filhos e familiares. Buscamos garantir que cada mulher atendida receba suporte, acolhimento e dignidade”, compartilha Lisa.
Apoio psicológico fortalece, orienta e acolhe, reforça Lisa. Foto: Dário Gabriel.
Entre as principais barreiras para romper o ciclo da violência está a falta de acesso à informação, especialmente em comunidades rurais e áreas periféricas. Muitas mulheres não sabem onde buscar ajuda ou, quando sabem, não acreditam que terão seus problemas resolvidos, aponta.
“Esse cenário reforça a importância da atuação de profissionais que trabalham para fortalecer e orientar. O suporte psicológico é uma ferramenta fundamental que ajuda a cicatrizar as cicatrizes emocionais”, complementa Lisa.
Laurinilza Assunção trabalha na PEM desde sua criação no ano de 2012 e recorda com orgulho que viu o projeto nascer, ganhar notoriedade e ser um dos principais canais de atendimento de mulheres e meninas em situação de violência no Ceará. Para ela, uma realização, uma vida dedicada a essa missão.
“As mulheres têm a certeza de que elas não estão sozinhas e considero a Procuradoria Especial da Mulher um grande avanço na luta das mulheres. O espaço conta com 15 profissionais que fazem um atendimento humanizado para elas que chegam aqui fragilizadas. Foi com o advento da lei Maria da Penha que essas mulheres passaram a conhecer os tipos de violência, criar consciência e coragem para denunciar o agressor”, avalia Laurinilza.
Laurinilza está na PEM desde a criação e vislumbra legado contra a violência. Foto: Dário Gabriel.
"Nós estamos aqui hoje na Procuradoria Especial da Mulher porque muitas mulheres tiveram a coragem que nós estamos tendo hoje pra deixarmos o legado para as próximas que virão no futuro para dar continuidade à erradicação da violência contra a mulher'', afirma.
Prevenção, expansão e conscientização
Alice Brasil, agente sociocultural da Procuradoria, trabalha com teatro e música há mais de 15 anos e, por meio do projeto PEM nas Escolas, contribui com a luta contra a violência que atinge as mulheres, conscientizando o público jovem com palestras e atividades lúdicas.
Cantando músicas de sua autoria que tratam sobre o tema de maneira mais leve, ela leva informação e mobiliza a juventude para abraçar a causa. O começo do trabalho que une arte e conscientização, lembra, foi em 2017 ao ser convidada a participar da Caravana de Combate à Violência contra a Mulher, percorrendo escolas públicas estaduais e profissionalizantes de Fortaleza e do interior do Ceará.
Comunicação com a juventude é essencial para enfrentar a violência, aponta Alice. Foto: Dário Gabriel.
“Abordamos o tema da violência de uma forma lúdica, com música e teatro para nos aproximarmos do público jovem e temos um excelente retorno. Vemos o quanto as adolescentes já estão mais conscientes sobre a violência, como denunciar e, com isso, cumprimos o nosso papel de atuar no combate à violência contra a mulher. Hoje temos o projeto PEM nas Escolas que contempla jovens do Ensino Médio", explica.
Aline Prado, orientadora da Célula Mulheres na Política da PEM atua junto às câmaras municipais para levar a Procuradoria Especial da Mulher para o maior número de municípios cearenses e aumentar a rede de atendimento e acolhimento às mulheres em situações de violência.
“Hoje temos mais de 138 procuradorias e pretendemos chegar a todos os municípios do Estado do Ceará. É muito importante que possamos fortalecer a rede de proteção e incentivar outras mulheres a denunciarem casos de violência”, destaca.
Expandir a rede de apoio e chegar aos 184 municípios cearenses é a meta, segundo Aline. Foto: Dário Gabriel.
Ela explica que a equipe entra em contato com vereadoras que têm interesse em levar a procuradoria para o município e, a partir desse momento, fazem todo o acompanhamento explicando como funciona e quais as demais etapas para implementação. “Também buscamos fortalecer a participação feminina na política promovendo ações de capacitação, conscientização e apoio às mulheres que desejam atuar nos espaços de poder e decisão”, comenta a orientadora.
Laryssa Rodrigues, assessora jurídica da PEM, ajuda as mulheres vítimas de violência por meio do atendimento jurídico, dando as devidas orientações e realizando os encaminhamentos aos órgãos competentes. Ela afirma que considera sua missão primordial para conscientizar as mulheres de que existem diversas leis de proteção que criam mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher.
Laryssa atua com a conscientização sobre direitos para coibir a violência. Foto: Dário Gabriel.
“Depois do contato por meio do Zap Delas, fazemos uma triagem, agendamento e a orientação necessária. Eu gosto de escutá-las, parabenizar pela coragem de denunciar. As mulheres já possuem uma maior consciência dos seus direitos e na Procuradoria buscamos ampliar esse conhecimento para as adolescentes por meio do projeto PEM nas Escolas para que as jovens saibam que existem cinco tipos de violência e quando estiverem adultas não se submetam a situações dessa natureza”.
Os cinco tipos de violência doméstica e familiar previstas na Lei Maria da Penha são a violência física, sexual, psicológica, moral e patrimonial.
Série especial Mês da Mulher
Ao longo do mês de março, o Núcleo de Comunicação Interna da Alece publicou cinco matérias apresentando servidoras que fazem parte da Casa do Povo, inspiram e colaboram com o presente e o futuro. No ano que a Alece completa 190 anos, reconhecer o papel das pessoas que fazem o Poder Legislativo estadual é nossa missão especial.
Confira as produções sobre as servidoras da Alece:
- Servidoras da Alece: mulheres que inspiram
- Mulheres que inspiram: servidoras da Alece contribuem para o Parlamento e o Ceará
- Mulheres promovem saúde no dia a dia da Alece
- Trabalho das servidoras das Comissões Permanentes é marcado pela eficiência
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Serviço
Procuradoria Especial da Mulher da Alece
- Endereço: Avenida Desembargador Moreira, 2930 - A. Bairro Dionísio Torres. Fortaleza/CE.
- Telefone: (85) 3277.2748
- Zap Delas: (85) 99814-0754
- E-mail: pem@al.ce.gov.br
Edição: Samaisa dos Anjos
Núcleo de Comunicação Interna da Alece