Departamento de Saúde e Assistência Social

Projeto Florescer aborda compreensão da neurodivergência

Por Ana Vitória Marques
04/11/2025 16:07 | Atualizado há 1 mês

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Foto notícia - Foto: Marcos Moura

A descoberta de um diagnóstico de neurodivergência pode trazer muitos desafios para pais e filhos, mas também abre caminhos para tratamentos e possibilita melhoras na qualidade de vida. Diante desse fato, o Projeto Florescer, coordenado pela Célula de Serviço Social do Departamento de Saúde e Assistência Social da Alece (DSAS), promoveu mais um encontro, nesta terça-feira (04/11), com mães atípicas atendidas pelo departamento, com o tema “Compreendendo e aceitando a neurodivergência”.

Para a orientadora da Célula de Serviço Social, Edinira Borges, o principal objetivo do encontro deste mês foi trabalhar com as mães a compreensão e a aceitação dos comportamentos neurodivergentes, uma vez que, se a criança se sente incluída dentro de casa pela família, ela fica mais segura para enfrentar os desafios da exclusão lá fora.

“Nós sabemos que, para aceitar algo, é importante compreender. O que nós queremos expor é que são crianças que têm um comportamento neurodivergente, mas também têm outras características, têm sentimentos e têm tantas outras virtudes, para que a gente não se foque somente nesse comportamento neurodivergente”.

Foto: Marcos Moura

Nesta edição, foi exibido o filme “O que uma criança neurodivergente gostaria de dizer” e, em seguida, realizada a roda de conversa mediada pela psicóloga da família do Centro Inclusivo para Atendimento e Desenvolvimento Infantil (Ciadi), Renata Soares.

De acordo com ela, o acolhimento dos pais, principalmente das mães, é fundamental para a evolução das crianças

“A gente entende que a sobrecarga no acompanhamento das terapias e nos cuidados de casa recai muito mais sobre a mãe do que qualquer outro familiar. Então, trabalhar a saúde mental dessas mães é fundamental para que elas se sintam seguras e dispostas a esse cuidado e para que a gente veja a evolução nas crianças”, comentou Renata.

Acolhimento como caminho para a evolução

Segundo Edinira Borges, entre as atendidas do Projeto Florescer estão mães de crianças e adolescentes que realizam tratamento no DSAS, em células como as de Psicologia, Psicopedagogia, Terapia Ocupacional e Nutrição. 

Uma das atendidas é a servidora da Célula de Nutrição da Alece Lia de Borba, mãe de um menino de 10 anos com TDAH. Ela recebeu o diagnóstico quando ele estava na alfabetização, após a escola sinalizar dificuldades de concentração do filho.

Foto: Marcos Moura

“E aí a gente foi investigar com médico, neuropsicopedagogo, neuropsicólogo, até a gente confirmar o diagnóstico. Para a gente, foi muito tranquilo, e eu acho que foi uma luz receber esse diagnóstico para a gente poder tratar e fazer as terapias, ter a medicação e ter uma qualidade de vida para ele e para os pais”. 

Ela citou ainda que espaços de compartilhamento como esses são muito importantes para que as mães, que recebem a carga maior da maternidade atípica, possam ser cuidadas. 

Também entre as atendidas estava Francisca Maria Matos, professora e moradora do bairro Henrique Jorge. Ela é mãe da Sabrina Mirian Matos, criança diagnosticada com TDAH. Francisca contou sobre os desafios da descoberta do diagnóstico.

“Eu descobri porque eu já fui professora, e os meus filhos de 15 e de 12 anos aprenderam com seis anos a ler, e a Sabrina não. Aí eu falei para o meu esposo: ‘Olha, tem alguma dificuldade, ela não está conseguindo aprender a ler’. Ele não queria aceitar que ela tinha alguma dificuldade. Quando completou oito anos, era muito conteúdo, e ela não conseguia se concentrar”. 

Foto: Marcos Moura

Foi então que a professora sugeriu procurar algum especialista e, com o diagnóstico, começou a realizar os tratamentos, alguns deles nas células do DSAS. 

“Quem tem filho atípico sabe que dá um pouquinho de trabalho. Às vezes chora, às vezes não quer ir para a escola, às vezes não quer dizer o sim, só quer dizer o não. E aqui [no Projeto Florescer] eu me sinto muito acolhida por todas, porque, além de acolher as crianças, também acolhem as mães, e eu me sinto bem, porque a gente também tem que ser cuidada”, disse. 

Projeto Florescer

O Projeto Florescer tem o propósito de acolher e dar suporte a mães de crianças e adolescentes atípicos acompanhados pelo DSAS, além de membros da comunidade do entorno, ajudando-os a superar o sentimento de desamparo, elevando a autoestima e promovendo a troca de experiências. Entre as atividades realizadas estão encontros e círculos restaurativos para discutir temas como autocuidado, alimentação e inclusão escolar.

 

Edição: Samaisa dos Anjos

 

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