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Filme mostra participação dos jangadeiros no movimento abolicionista do Ceará

Por Julio Sonsol
20/02/2026 11:27 | Atualizado há 3 semanas

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Foto notícia - Foto: Divulgação

“A Rebelião dos Jangadeiros”, produzido em 2025, é um documentário que traz momentos de nossa história pouco lembrada. Dirigido com sensibilidade por Cinthia Medeiros e Demitri Túlio, o filme resgata um capítulo fundamental da história abolicionista brasileira muitas vezes ofuscado pela narrativa oficial centrada na Lei Áurea, de 1888.

O filme revive a Greve dos Jangadeiros de 1881, quando os trabalhadores do mar cearenses, liderados por figuras como Francisco José do Nascimento (o Dragão do Mar), recusaram-se a transportar pessoas escravizadas para os navios que as levariam ao Sul e Sudeste do País. Essa paralisação foi um ato de resistência coletiva que acelerou o fim do tráfico interprovincial e ajudou a tornar o Ceará a primeira província livre da escravidão, em 1884.

No Ceará não se embarca mais escravos” 

Proferida em 1881, por Dragão do Mar, essa declaração foi um marco na história do Ceará. Assim, Francisco do Nascimento liderou a greve dos jangadeiros que bloqueou o tráfico de escravizados no porto de Fortaleza, tornando o Estado pioneiro na abolição.

O que mais impressiona é a forma como o filme transita entre registro histórico, depoimentos contemporâneos e elementos híbridos que atualizam o debate. Sem cair em didatismo excessivo, ele conecta a luta contra o racismo estrutural às formas modernas de exploração que ainda afetam a população negra no Brasil. 

A direção evita romantizações fáceis e expõe com clareza as tensões, os dilemas éticos e o custo humano daquela rebelião - o que torna a obra incômoda na medida certa, mas também profundamente inspiradora.

A fotografia capta belamente o mar do Ceará como cenário simbólico de liberdade e prisão ao mesmo tempo, enquanto a edição mantém um ritmo envolvente, alternando arquivos, reconstituições sutis e falas atuais de historiadores, descendentes e ativistas. O resultado é um documentário que educa sem ser chato, emociona sem manipular e, acima de tudo, reforça a importância de resgatar memórias coletivas silenciadas.

Para quem está em Fortaleza, o filme está em exibição no Cinema do Dragão. Vale muito a pena. É um sopro de orgulho cearense e brasileiro que precisava ser contado assim, com honestidade e força.

Ficha técnica

Direção e Roteiro: Cinthia Medeiros e Demitri Túlio
Produção Executiva: Íris Sodré e Gavulino Filmes
Elenco: Adna Oliveira, Marta Aurélia e Sâmylla Costa

Serviço 

Sessões: Sexta (20/02) – 20 h; Sábado (21/02) – 20h10; Terça (24/02) – 17h20; Quarta (25/02) – 17h20

Ingressos: R$ 8,00 (meia) e R$ 16,00 (inteira). Podem ser adquiridos na bilheteria do cinema ou on-line. Têm direito ao benefício da meia-entrada: estudantes (carteirinha estudantil ou declaração de matrícula), idosos (pessoas com mais de 60 anos). 

Local: Cinema do Dragão (Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura), na Praia de Iracema. Entrada pela Avenida Pessoa Anta, n.º 374. 

Edição: Paulo Veras

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