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Uma coletânea expressiva de olhares sobre a menina de 300 anos

Por Paulo Veras
15/05/2026 13:51 | Atualizado há 2 horas

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Para quem quer conhecer traços dos 300 anos de Fortaleza desenhados por várias mãos, uma boa pedida é o livro “À nossa Fortaleza”, editado pela Fundação Sintaf, do Sindicato dos Fazendários do Estado do Ceará (Sintaf-CE). A obra traz vários textos e ilustrações que contam a trajetória de três séculos da capital cearense, apresentando um contexto imersivo dessa história centenária.

Os olhares

Para dar luz e reverenciar essa trajetória, o Sintaf-CE traz, com a obra “À nossa Fortaleza”, um apanhado de impressões, sentimentos e vivências de fortalezenses das mais diversas áreas e formações. A ideia, como cita o diretor-geral de organização do Sintaf, Carlos Brasil Gouveia, na apresentação da publicação, foi “reunir artistas de múltiplas linguagens para traduzir, sob diferentes olhares, as experiências e afetos que os ligam à cidade”.

A obra abrange crônicas, poesias, canções e gravuras que trazem desde lembranças pessoais a reflexões que explicitam desejos para o futuro da cidade. O leitor terá contato com temas tão diversos quanto o bode Ioiô, a vaia ao sol, as nossas influências culturais, canções populares, bem como lutas políticas e sociais – que, conjuntamente, apontam a complexidade que construiu e ainda forma e reforma Fortaleza.

Memórias que reconstroem a história 

Ao todo, são 48 crônicas, poemas e músicas de autores como a administradora e fazendária Aurelina Farias e o professor e pedagogo Artur Bruno, ex-deputado federal e ex-deputado estadual. 

Em seu texto, Artur Bruno discorre sobre como o trabalho e os ciclos econômicos no ainda Brasil Colônia foram importantes para o caminhar da cidade que se transformaria na capital do Ceará. Ele cita detalhes das influências europeias no tempo da Belle Époque (1871-1914), quando nossas elites buscavam inspirações em referências do Velho Continente e dos Estados Unidos, com enorme presença de militares norte-americanos em consequência da 2ª Guerra Mundial (1939-1945).

Registro da Praça do Ferreira, em Fortaleza, na década de 1940 - Foto: Arquivo Nirez 

Para o ex-deputado, o tricentenário da cidade neste ano deve ser motivo de celebração, mas também um momento de “refletir sobre o seu passado e planejar coletivamente o futuro, buscando construir uma cidade mais justa, organizada e acolhedora para todos os seus habitantes”.

Aurelina Farias aborda sua relação com Fortaleza por meio de suas memórias. Tudo ganha cores com as palavras: os caminhos que percorria ao ir às aulas, as calçadas altas com as pessoas sentadas a conversar, os cumprimentos educados que eram praxe. Com sua descrição, é possível viajar pela arquitetura da década de 1970 e relembrar logradouros e locais que já nem existem mais. 

Aurelina Farias - Foto: Reprodução

A fazendária cita quando descobriu ter vencido a seleção para ingresso na Universidade de Fortaleza (Unifor). “Foi numa dessas bancas de revista que pedi para ver o jornal e conferir se meu nome estava na lista dos aprovados no vestibular. Que emoção grande! Comemorei ali mesmo, com o jornaleiro”. 

Para Aurelina, é importante a preservação das memórias. Como servidora pública da Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará (Sefaz), a administradora destaca o prédio da sede do órgão como patrimônio histórico não apenas de Fortaleza, mas de todo o Estado. 

“O Centro de Memória da Fazenda é um importante equipamento à disposição da sociedade que contempla belos artefatos de nossa história, sendo um ótimo aliado da educação fiscal de nosso Estado”.

Uma cidade que acolhe quem vem de fora

Há no livro também quem se permita parabenizar Fortaleza descrevendo alguns que não nasceram em terras cearenses, mas, ao aqui desembarcarem, quer pequenos, jovens ou adultos, resolveram adotar a terra como sua. É o caso de Jair de Moura Moraes, paraense que chegou a Fortaleza aos dois anos de idade, conhecido como “Poeta dos Cachorros”. A história desse artista é apresentada por Tarcísio Matos, jornalista, escritor, compositor, roteirista e pesquisador da cultura popular cearense.

Tarcísio Matos - Foto: Júlio Caesar

Jair é músico autodidata, artista de rua e poeta popular. Apresenta-se em terminais de ônibus e centros comerciais, como o das Tapioqueiras, em Messejana, sempre arrancando aplausos do público. O artista ganhou dinheiro e destaque ao compor o sucesso “Todo Castigo para Corno é Pouco”, faixa do disco “A Besteira é a Base da Sabedoria”, do cantor cearense Falcão. Nele, Tarcísio identifica o melhor do “Ceará Moleque” dos tempos atuais, tanto por suas canções e criações como pela própria forma de encarar o dia a dia da vida.

Segundo Tarcísio, há quem defina Jair como doido, mas ele prefere tê-lo como gênio. 

“Ele é, às vezes, visto com zombaria por uma sociedade que ri das dores alheias. Porém, sem ele, eu talvez não soubesse rir de mim mesmo”. 

Fortaleza de luta

A escritora Gláucia Lima, professora e fazendária aposentada, foca sua participação no livro dando luz às lutas por inclusão. Seu texto inicia conclamando todos em busca dessa conquista: “Fortaleza inclusiva, diversa, cultural, ecológica, com mobilidade, segurança e memória! Porque tudo principia na composição de sonho”.

Da esquerda para a direita: Liduíno Lopes de Brito, diretor-geral da Fundação Sintaf; Gláucia Lima e Tarcísio Matos - Foto: Reprodução

Gláucia também destaca, por meio de seus exemplos, a crescente, importante e necessária participação das mulheres nos movimentos, discussões, entidades e ações que têm poder de transformação. Com seu depoimento, a escritora escancara o quanto as lutas para que uma cidade mais humana e justa possa se concretizar não podem ter fim. Ela afirma, assim, que quer e que todos devem construir as melhoras. 

“Não é um sonho. É a realidade pela qual nossa cidadania nos impele a lutar, porque a luta continua!”.

Wildys Oliveira - Foto: Reprodução

O economista e fazendário Wildys Oliveira entrega em versos a história da cidade. Nas estrofes, relata do nascimento à atualidade, mostra de monumentos aos encantos naturais e do entretenimento às diferenças sociais. Em seu poema “Fortaleza Tricentenária (Em homenagem à Cidade do Sol)”, Wildys deixa clara a ligação umbilical com a cidade e o amor por ela, ao mesmo tempo que não esconde seus desafios e lutas.

Por fim, a poesia conclama para o futuro:

“… Há trezentos anos, vence o tempo ingrato:

Fortaleza – poema em pedra e luz,

Que faz da história seu exato trato

E ao sol do futuro altiva conduz.”

A representação por meio da arte

Para além de ler e encantar-se, o livro oferece também obras de pintoras e pintores como a artista visual Lia Costa Mamede, que oferta sua visão do estádio Castelão na versão mais moderna, após a reforma ocorrida para a Copa do Mundo de Futebol masculina, em 2014, no Brasil, que teve Fortaleza como uma de suas sedes.

Ilustração de Lia Costa Mamede no livro - Imagem: Reprodução do livro “À nossa Fortaleza”

Lia mostra a impactante nova fachada do estádio com sua praça lotada de pessoas em sua esplanada, como se ali, como uma minicidade contida, estivesse toda Fortaleza.

A construção do livro: um convite à reflexão

Fortaleza, capital do estado do Ceará, completou seu terceiro século de vida no dia 13 de abril de 2026. São 300 anos de transformações profundas, de enfrentamentos, engajamentos, passos à frente e para trás, sempre com enorme participação de seu povo, reafirmando que não há sentido de existência de um sem o outro.

Não há como construir cidadania sem vínculo entre o indivíduo e o espaço físico que ele ocupa. É impossível dissociar a construção social das relações lugar e pessoa, terra e ocupante, cidade e habitante. 

Com essa consciência, quem melhor para homenagear um local em um instante tão especial - e de forma perpétua, por meio da arte em suas várias expressões - do que aquelas e aqueles que nele estão presentes e por ele nutrem amor, respeito, parceria, admiração e gratidão?

Será passeando pelas páginas de “À nossa Fortaleza” que os leitores saberão detalhes sobre fatos importantes que compuseram a história da capital alencarina, desde sua fundação até os dias atuais, mas, e principalmente, enxergarão a Terra do Sol pelos olhos de personagens que ajudaram a moldar o seu caráter.

Há muito a descobrir por meio das histórias, depoimentos, causos, telas, poesias e músicas nas quase 200 páginas de “À Nossa Fortaleza”. Cabe ao leitor conhecer, refletir, deliciar-se e emocionar-se com o conteúdo e, assim como os autores, contribuir para o contínuo crescimento e melhora da nossa capital, construindo caminhos que a tornem, sob todos os aspectos, a cidade de todos e para todos.

“À Nossa Fortaleza” é uma homenagem do Sintaf-CE aos 300 anos de Fortaleza. A obra foi editada pela Fundação Sintaf, com coordenação editorial de Mailson Furtado, apresentação de Carlos Brasil Gouveia e prefácio de Liduíno Lopes de Brito.

O livro foi pensado como um presente de todos os fazendários para a cidade e está disponível para download gratuito para todos aqueles que desejem conhecer, de forma concreta e lúdica, um pouco das histórias que Fortaleza proporcionou ao longo de seus 300 anos de vida.

Confira a obra na íntegra: 

Foto: Reprodução

Conheça mais sobre o Sintaf

O Sindicato dos Fazendários do Estado do Ceará (Sintaf-CE) foi fundado em 17 de dezembro de 1988 e tem como objetivo defender direitos e ampliar conquistas, contribuindo para a construção de uma administração financeira mais estável.

Outro foco é o incentivo à pesquisa e ao apoio a grandes projetos, a exemplo da Fundação Sintaf e de seu centro de pesquisas - o Observatório das Finanças Públicas (Ofice).

Já a Fundação Sintaf é uma instituição de ensino e pesquisa que foi constituída pelo sindicato em fevereiro de 2008. A entidade desenvolve ações de cunho técnico, científico, cultural e de responsabilidade socioambiental junto ao setor privado, a outras organizações do terceiro setor e à administração pública.

Expediente

Esta é uma produção da Comunicação Interna da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) e conta com texto de Paulo Veras, produção de Salomão de Castro e Julyana Brasileiro, edição de Ana Vitória Marques, revisão de Carmem Ciene e arte de capa da Célula de Publicidade e Marketing.

 

Edição: Ana Vitória Marques

 

Comunicação Interna da Alece
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Página: https://portaldoservidor.al.ce.gov.br/

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