Servidores participam de curso sobre revelação espontânea de violência contra crianças e adolescentes
Por Julio Sonsol23/09/2026 13:39 | Atualizado há 1 semana
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Primeiro encontro do curso reuniu servidores de diversos setores da Alece
- Foto: Bia Medeiros
O curso Revelação Espontânea de Violência contra Crianças e Adolescentes reuniu, nesta quarta-feira (23/09), 68 servidores de 40 setores da Alece em seu primeiro encontro, no auditório Lucila Bomfim, no anexo III.
Promovido pelo Comitê de Responsabilidade Social (CRS) da Alece, o curso seguirá com atividades até outubro, capacitando servidores, indicados pelos gestores dos órgãos, para o tema da proteção da infância e da adolescência no Ceará.
A iniciativa conta com parcerias da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) e do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE).
Em junho de 2026, um grupo de servidores de setores de atendimento ao público externo da Casa participou da oficina "Acolher para proteger: olhar atento, escuta presente”.
Proteção e atenção aos direitos
A coordenadora do CRS, Erivânia Bernardino, destacou a Lei n.º 13.431, que estabelece o sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência e a necessidade de que órgãos públicos que recebam crianças e adolescentes estejam preparados.
Segundo ela, o objetivo é que todos os setores da Alece tenham servidores capacitados. “Muitas vezes, a gente não para para pensar que uma criança ou adolescente, em um ambiente em que se sente seguro, venha revelar espontaneamente o que está sofrendo”, comentou, indicando as possibilidades de violência doméstica, familiar e situações no ambiente escolar.
O momento de segurança para revelar a situação de violência pode ser, por exemplo, durante um atendimento médico, odontológico ou psicopedagógico terapêutico, por isso a importância da participação de todos os setores.
“Às vezes, a grande escuta ativa é no silêncio da criança, é no silêncio do adolescente. Todos os setores estarão entendendo que criança e adolescente são absolutas prioridades aqui na Casa do Povo", reiterou.
Revelação espontânea e confiança no ouvinte
O promotor de Justiça Dairton Oliveira, da Promotoria de Defesa da Infância e da Adolescência de Fortaleza, foi o facilitador da primeira aula do curso. Ele destacou a relevância da capacitação para que servidores possam acolher uma revelação espontânea de uma violência sofrida por uma criança ou adolescente.
De acordo com o promotor, receber a revelação é algo que, muitas vezes, pode causar trauma na criança se o adulto que a recebe não souber como atender de forma equilibrada. Ele apontou que os sinais de violência são muitos, entre eles, crianças e adolescentes que eram extrovertidos e começam a se retrair ou que cobrem o corpo todo ou mesmo passam a ter atos de violência.
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Foto: Bia Medeiros
Sobre o processo de revelação espontânea, Dairton Oliveira explicou que, antes de fazer a revelação, a criança ou adolescente vai estudar o ambiente e as pessoas a quem ela vai pedir socorro. É um momento em que é necessário que a criança ou adolescente identifique no adulto alguém de confiança.
De acordo com o promotor, quando uma criança ou adolescente busca um adulto para fazer uma revelação, significa dizer que ela confiou em seu ouvinte. “Se você não retribuir a confiança, ela vai se calar e vai sofrer aquela violência pelo resto da vida. Então, é preciso que todos estejam preparados”.
O promotor acrescentou ainda que a criança ou adolescente busca um adulto de referência, especialmente quando a violência se origina dentro de casa. Nesses casos, ela precisa de um adulto externo.
“Não podemos acolher um relato de violência e não fazer nada"
A orientadora da Célula de Saúde Mental e Práticas Sistêmicas Restaurativas do CRS, Antonete Freitas, reiterou a importância do curso e da capacitação dos servidores da Alece, uma vez que a Casa conta com muitos órgãos que fazem atendimento ao público com crianças e adolescentes. “O servidor precisa saber como vai acolher e, a partir daquela informação que recebeu, como proceder e para onde encaminhar".
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Foto: Bia Medeiros
A orientadora lembrou que a proteção da criança é dever da família, do Estado e da sociedade. "Então, enquanto servidores, nós também prestamos serviço e somos sociedade. Não podemos ouvir um relato de violência e não fazer nada. A gente tem que entender para onde vai direcionar aquela situação”, explicou.
Saiba mais

A ação está vinculada a, pelo menos, dois dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas:
- 3. Saúde e bem estar;
- 11. Paz, justiça e instituições eficazes;
Os ODS são uma chamada ao enfrentamento a questões globais e buscam promover projetos com foco na paz, saúde, educação, igualdade e prosperidade, proteção ao meio ambiente e ao clima, desenvolvimento de comunidades e cidades mais sustentáveis.
A Alece, por meio de suas ações efetivas, busca contribuir com o alcance dos ODS desde 2021, quando aderiu ao Pacto Global da ONU.
Edição: Samaisa dos Anjos
Comunicação Interna da Alece
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