Comissão de Direitos Humanos e Cidadania, 40 anos de lutas e conquistas
Por Paulo Veras15/12/2025 14:05 | Atualizado há 3 meses
Compartilhe esta notícia:
- Arte: Publicidade da Alece com fotos de Pedro Albuquerque
Como contar uma história de 40 anos que tem episódios conectados com a trajetória de tantas pessoas, grupos, conquistas e do próprio estado do Ceará?
A Alece celebra, em 2025, as quatro décadas da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania (CDHC) da Casa com amplo material, como documentário - lançado nesta segunda-feira (15/12) - e série de matérias da Agência de Notícias:
Comissão de Direitos Humanos e Cidadania chega aos 40 anos promovendo dignidade e justiça social e Comissão como lugar de escuta e de luta contra violações dos direitos humanos
Para a Comunicação Interna da Alece, não poderia haver uma forma mais perfeita de destacar a história da CDHC do que por meio de servidoras que contribuíram para construir esse caminho de lutas, persistência, amor e compromisso social.
Passearemos por depoimentos de quem testemunhou, de forma ativa, a criação e evolução de uma das comissões técnicas mais importantes da Alece para, dessa forma, marcar quatro décadas de desafios em busca da universalização de direitos fundamentais.
A equipe da da comissão é composta por Fátima Carvalho, Silvânia Mourão, Fernanda Sales, Tina Rolim, Naira Filgueira, Marcelo Kraus, Stella Maris, Mariana Tavares, Isabel Carneiro e Maria Alice Mourão.
Uma ideia que germinou
A comissão é o resultado de um trabalho incansável de pessoas e entidades representativas da sociedade e enfrentou um começo de demarcação de espaço e muito esforço para abrir as portas para a população.
Fátima Carvalho está na Assembleia Legislativa desde 1982 e, na CDHC, desde a sua criação, em 1985. Ela lembra o início difícil, uma vez que as condições para o atendimento das pessoas e para a realização de audiências eram ainda precárias.
Com a crescente procura, ela lembra que, em 1996, junto com o deputado Mário Mamede, ela elaborou um projeto chamado Balcão da Cidadania. Dessa iniciativa surgiu o primeiro espaço dedicado às comissões, no local onde hoje funciona o Memorial Deputado Pontes Neto, explica Fatinha, como é conhecida por muitos.
.jpg)
Foto: Pedro Albuquerque
Essa semente se transformou no atual Complexo de Comissões Técnicas, local composto por espaços específicos para cada comissão, além de auditórios onde são realizadas reuniões e audiências públicas.
Segundo Fátima, esses auditórios foram muito importantes, porque “um dos maiores instrumentos nossos são as audiências públicas, que é uma maneira de ouvir, de apoiar os movimentos sociais que procuram a comissão”.
Ela explica que sempre esteve presente nas lutas da sociedade organizada e quase chegou a ser presa na época da ditadura militar, por conta de sua interação com os movimentos sociais. “Participei da redemocratização, do primeiro congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da montagem do diretório estudantil da UFC (DCE). Isso aí deu um subsídio muito grande na nossa sensibilidade na luta por liberdades democráticas”, ressaltou.
“Eu evoluí junto com a comissão”
“Como pessoa, eu evoluí junto com a CDHC”. A servidora Fernanda Sales, que tem quatro décadas na Alece e, desde 1996, compõe a comissão, compartilha como o trabalho diário marcou e marca sua trajetória de vida.
Ao relembrar episódios da história, como a participação na criação do Fórum Cearense de Direitos Humanos, a servidora avalia que, “contribuir para essas conquistas dessas instituições me ajudou a reafirmar meu lugar na sociedade como mulher, como mãe. As minhas lutas se confundem com a luta pelos direitos humanos”.
Ela relembra que, em 1996, trabalhando em outro setor, soube da estruturação do Complexo de Comissões e seleção interna de profissionais, o que reforçou sua vontade de fazer parte da CDHC, por ter formação em Ciências Sociais.

Foto: Pedro Albuquerque
Fernanda orgulha-se de sua escolha e resgata momentos que considera fundamentais nos avanços conquistados pela sociedade, sobretudo para as mulheres. “No período de 2003 e 2004, tivemos uma campanha sobre a violência contra a mulher, liderada pela deputada Luiziane Lins, e, desse trabalho, muita coisa frutificou, como as delegacias especiais de defesa da mulher e, até mesmo, depois, o Hospital da Mulher”.
Para a servidora, é impossível viver em uma sociedade democrática se naturalizarmos as violações aos direitos humanos. “Aqui nós escutamos o cidadão e a cidadã. São todos acolhidos e, mesmo que o problema não seja imediatamente resolvido, nós damos todos os encaminhamentos possíveis”, salientou.
“Nosso foco é a pessoa, o atendimento humanizado. Hoje, mesmo com a tecnologia impactando as relações humanas, fazemos questão de ressignificar o atendimento. Ninguém fica sem ser acolhido”.
Mudar paradigmas
Silvânia Mourão está na Alece desde 1987. Antes de trabalhar na CDHC, foi assessora parlamentar e também passou pela Mesa Diretora, até participar da seleção interna para as comissões. “Os aprovados tinham até três comissões para escolher. Aí eu fui uma das aprovadas e escolhi a Comissão de Direitos Humanos”, recorda.
Não foi uma escolha fácil. Silvânia confessa que vinha de uma família cheia de preconceitos e, somado a isso, a sua função anterior era totalmente burocrática e dependente da chefia.
"A Fatinha [Fátima Carvalho] me orientou muito em relação à autonomia, me levou para as reuniões fora da Alece, as audiências. Isso, essa vivência, foi fundamental e transformou a minha visão de mundo”.
.jpg)
Foto: Pedro Albuquerque
Silvânia pondera que a pessoa que procura a CDHC está muito fragilizada e enxerga a comissão como o último recurso. “Às vezes, vem mesmo sem esperança nenhuma. E a gente recebe, acolhe, faz ofício, cobra, persiste, faz audiência pública”.
Para a servidora, uma das grandes conquistas da CDHC tem sido a ida para as cidades do interior do Ceará. “Uma hora a gente está aqui, outra hora está em um município, outra hora está no Conjunto Ceará, em uma audiência”. Ela espera que a comissão continue na luta pela defesa dos direitos individuais, coletivos e das minorias.
A ideia se renova
Se muito vale o que a equipe de servidores e a Comissão de Direitos Humanos e Cidadania já realizaram, mais vale o que ainda há para realizar. Essa é a visão da servidora Naira Filgueira, secretária da CDHC.
Ela entrou na Alece em 2021 e, no ano seguinte, passou a fazer parte da comissão, sendo a caçula da equipe. Formada em Direito e com atuação na advocacia popular, Naira sempre esteve próxima aos movimentos populares e suas lutas.
“Na primeira vez que estive em uma ocupação e vi as pessoas com seu direito à moradia violado, tudo destruído… entendi que poderia contribuir com o meu estudo para a construção de uma sociedade melhor e mais justa”.
Ela afirma que o seu papel e o da comissão são, exatamente, dar voz para pessoas e grupos que estão lutando por seus direitos no dia a dia. “Nós prestamos uma assessoria, mas o protagonismo é deles, dos cidadãos e cidadãs”, pontua.
A advogada reflete que não é fácil persistir no apoio aos que mais precisam, mas que não vai desistir. “São muitos retrocessos que a gente tem na política de direitos humanos. Você tem que lidar com desafios diariamente. Todo dia a gente recebe alguém que está com alguma dor, algum direito violado”.
.jpg)
Foto: Pedro Albuquerque
Naira chama a atenção para o papel que as comissões técnicas possuem de divulgar para a sociedade o trabalho realizado na Casa Legislativa, sobretudo na CDHC. “Ainda está no imaginário das pessoas que a Assembleia funciona apenas nos dias de sessões legislativas. Elas não enxergam toda a engrenagem. Não percebem que esse funcionamento da Casa do Povo é voltado para as pessoas, para o cidadão”.
“A Comissão de Direitos Humanos fortalece a sensação de que esta Casa é das pessoas, que elas podem chegar, que vai ter uma pessoa para escutar e a demanda dela vai ser levada a sério”. Como seu principal desejo para o futuro da comissão, Naira Filgueira é enfática ao afirmar que esse trabalho deve continuar e ser estendido para todo o Estado, sempre realizado por pessoas vocacionadas com a luta pelos direitos humanos.
Direitos de todos e todas
Ernestina Rolim está na Alece desde 1984 e, em 2015, juntou-se à equipe da CDHC. Ela acredita que foi convidada por seu perfil de saber acolher, característica adquirida por meio de sua criação interiorana, junto com pais e avós.
“O acolhimento é essencial! Existem situações nas quais precisamos dizer um não, mas é a forma com que essa negativa é dada que fará a diferença. As pessoas, muitas vezes, só querem ser ouvidas, bem tratadas”.
Mãe de dois rapazes, Tina, como é tratada por todos, diz que é praticamente impossível não se envolver nos casos, citando como exemplo os casos de violência. “A gente vê a violência aumentando. Parece que, quanto mais se tenta diminuir, mais ela vai aumentando”.
.jpg)
Foto: Pedro Albuquerque
Para a servidora, a CDHC contribui para consolidar a ideia e o fato de que somos todos cidadãos e que os direitos precisam chegar a todos, e não apenas para uma parcela da sociedade. “Porque direitos humanos é você trabalhar pelo direito de cada um. Eu tenho meu direito como cidadã, a criança tem o direito como criança, o idoso, o detento e o que está privado de liberdade têm os direitos deles. Somos todos cidadãos”, ressalta.
Os casos de desrespeito aos direitos humanos ocorrem todos os dias, então, defende Tina, a luta não pode parar. Para ela, se não está como gostariam, seria muito pior se não houvesse o trabalho. “Se a gente faz e não dá resultado, não vamos deixar para lá, temos que continuar. Insistir e persistir”.
Experiência inesquecível
Patrícia Oliveira, ex-servidora da Alece, fez parte da equipe da CDHC por quatro anos. “Foram cerca de 10 anos de Assembleia Legislativa que me ajudaram a me formar como profissional e como pessoa”, afirma. Ela acredita que o trabalho da comissão é perseguir o básico, que, muitas vezes, é negado, sobretudo para os menos favorecidos.
“Quando a gente pensa em direitos humanos, a gente está pensando em direitos básicos. Mas, como tem tanta violação desses direitos, parece que a gente está pensando num cenário quase utópico, né? De vida, de liberdade, de igualdade, de proteção, de justiça social e ambiental”, argumenta.
.jpg)
Foto: Pedro Albuquerque
Patrícia sente orgulho do trabalho que realizou, assim como o de todas que compõem a CDHC. Ela considera um trabalho difícil, pois lida com a situação diária de violação e de sofrimento, mas, ao mesmo tempo, é fundamental e precisa ser feito.
Para ela, o que é realizado pela comissão não pode ser um trabalho pontual e, para que esse trabalho exista, a participação da sociedade é necessária. “Você precisa ter parlamentares que defendam direitos humanos, e eles são escolhidos pela sociedade. Eles precisam estar comprometidos com essa luta”.
A comissão
A Comissão de Direito Humanos e Cidadania da Alece é presidida atualmente pelo deputado Renato Roseno, com a vice-presidência do deputado Missias Dias.
Estão nas atribuições da CDHC, dentre outras, receber e avaliar denúncias relativas à ameaça ou à violação de direitos humanos individuais e coletivos. As denúncias podem abordar assuntos referentes aos direitos sociais, econômicos e culturais e aos direitos civis e políticos.
Qualquer cidadã ou cidadão pode interagir com a CDHC. Os contatos devem ser realizados por meio de telefone 85 3277-2690, WhatsApp 85 99952-4700 ou e-mail cdhc@al.ce.gov.br.
Caso prefira, o interessado pode optar pelo atendimento presencial, comparecendo ao Edifício José Euclides Ferreira Gomes, anexo II da Alece, na Rua Barbosa de Freitas, 2.674, 5º andar, sala D.
Edição: Samaisa dos Anjos
Núcleo de Comunicação Interna da Alece
E-mail: comunicacaointerna@al.ce.gov.br
Página: https://portaldoservidor.al.ce.gov.br/
É servidor ou servidora da Alece e quer participar da nossa lista de transmissão no WhatsApp? Adicione o número 85 99717-1801 e nos mande uma mensagem.
Veja também
Reconhecida como um dos parlamentos mais transparentes do Brasil, Alece prevê novo Portal da Transparência
No caminho de melhorar cada vez mais os indicadores de transparência e simplificação do acesso à informação pelo cidadão, a Assembleia Legislativa do...
Autor: Gabriela Farias/Agência de Notícias