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Ciadi celebra Dia das Crianças com atividades lúdicas e terapêuticas no Parque Adahil Barreto

Por Julio Sonsol
21/10/2026 16:30 | Atualizado há 3 horas

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Foto notícia - Foto: Pedro Albuquerque

Um dia no parque! A celebração do Dia das Crianças do Centro Inclusivo para Atendimento e Desenvolvimento Infantil (Ciadi) da Alece levou crianças, famílias e profissionais ao Parque Adahil Barreto nesta quarta-feira (21/10). 

O espaço verde próximo à sede da Casa do Povo ficou repleto de atividades lúdicas e terapêuticas nos turnos da manhã e da tarde. A programação incluiu oficinas recreativas, brincadeiras ao ar livre, atividades musicais e momentos de interação entre as crianças e os profissionais. 

Uma conquista que não se mede

Entre as famílias presentes, a percepção sobre a importância do evento ia além da diversão. Lenice Lélis, mãe de Maria Luiza, de 9 anos, acompanhou a filha durante as atividades e relatou a diferença que o Ciadi tem feito na rotina da família. 

“Antes, a Maria Luiza tinha muita dificuldade em lugares com muita gente, com barulho. Hoje ela circula, brinca, procura outras crianças. Ver ela aqui, no parque, correndo e sorrindo, é uma conquista que a gente não mede. O Ciadi não atende só ela; ele acolhe a gente também”, contou.

Foto: Pedro Albuquerque

Lenice destacou ainda o papel dos profissionais no dia a dia da família. “A gente aprende muito com eles. Não é só a terapia da criança; é orientação para a gente em casa, é paciência, é entender o tempo dela. Hoje eu sei que cada pequeno passo é uma vitória. E ver essa vitória acontecendo no meio do parque, com outras crianças, com música, com brincadeira, não tem preço”.

Viver o lúdico e observar as conquistas

A orientadora da Célula de Atendimento em Transtorno do Espectro Autista (TEA) do Ciadi, Maria Luiza Melo, explicou que a escolha do parque para a ação amplia as possibilidades de interação, permitindo que as crianças pudessem circular com liberdade, sem a rigidez de uma sala de atendimento. "O lúdico aqui é também terapêutico: ele permite que a criança se expresse, interaja e se regule de uma forma que, muitas vezes, a sessão formal não alcança".

Segundo ela, a celebração também funciona como uma oportunidade de observar, em contexto real, habilidades trabalhadas nas sessões, que aparecem de forma espontânea, construindo um momento de avaliação efetiva.

A orientadora da Célula de Síndrome de Down (T21), Nádia Rocha, explicou que, para as crianças com T21, a socialização é um dos grandes desafios e, ao mesmo tempo, um dos maiores ganhos que elas podem ter. 

“Quando a gente cria um momento festivo, com brincadeiras e oficinas, isso facilita o entendimento e a participação. A criança aprende brincando e a família vê que o desenvolvimento também pode acontecer com leveza”, explicou Nádia Rocha.

A convivência entre crianças com perfis diferentes, em um mesmo espaço, fortalece uma cultura de inclusão, apontou a profissional. “A gente não separa por diagnóstico aqui. O TEA e a T21 brincam juntos, e isso é muito potente. As crianças aprendem a lidar com o outro, com o diferente, e as famílias percebem que a inclusão não é um discurso, é uma prática. O parque vira uma pequena comunidade”.

Efeito sobre a autoestima

Rafaela Gomes Barroso, mãe de Artur Barroso, de 12 anos, enfatizou a relevância de o centro promover ações fora do ambiente institucional. “A gente passa por tantas terapias, tantas avaliações, que às vezes esquece que a infância precisa de espaço para ser infância. Hoje o Artur está sendo criança, e isso é terapêutico para ele e para mim. A gente se sente vista, acolhida. Não é só uma festa; é um respiro”, declarou.

Foto: Pedro Albuquerque

Rafaela chamou atenção para o efeito do evento sobre a autoestima das crianças. “O Artur chegou tímido, olhando tudo de longe. Em pouco tempo, já estava no meio das brincadeiras. Ele se sentiu pertencente. Isso muda a forma como ele se vê e como a gente vê o futuro dele. A inclusão acontece nesses detalhes: no convite para brincar, no olhar do terapeuta, no espaço que é preparado para ele”, completou.

Cuidando de quem cuida

A psicóloga da família do Ciadi, Neudêmia Porto, ressaltou o impacto da programação sobre os vínculos entre famílias e crianças. “Muitas famílias chegam aqui exaustas, com a sensação de que precisam dar conta de tudo sozinhas. Quando elas se veem em um parque, junto com outras famílias que vivem situações parecidas, isso produz um alívio imediato. O cuidado com a criança passa, necessariamente, pelo cuidado com quem cuida dela”.

Foto: Pedro Albuquerque

A psicóloga explicou que o trabalho com as famílias é parte estruturante do modelo de atendimento do Ciadi. “A gente não atende só a criança, a gente atende o sistema familiar. A mãe que troca experiência com outra mãe, que percebe que não está sozinha, que ouve um relato parecido com o seu, sai daqui diferente. Esse encontro entre pares, mediado por profissionais, é uma forma de intervenção. A festa é alegria, mas é também saúde mental”, apontou a psicóloga.

Saiba mais

A ação realizada pelo Ciadi atende a, pelo menos um, dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas: 

  • 03. Saúde e bem-estar

Os ODS são uma chamada ao enfrentamento a questões globais e buscam promover projetos com foco na paz, saúde, educação, igualdade e prosperidade, proteção ao meio ambiente e ao clima, desenvolvimento de comunidades e cidades mais sustentáveis. 

A Alece, por meio de suas ações efetivas, busca contribuir com o alcance dos ODS desde 2021, quando aderiu ao Pacto Global da ONU.

 

Edição: Samaisa dos Anjos

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