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Terça, 15 Março 2022 11:12

Impactos da pandemia na vida das mulheres incluem aumento da violência e feminicídio Destaque

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Confira terceira matéria da série especial da Agência de Notícias da Alece Confira terceira matéria da série especial da Agência de Notícias da Alece Arte: Divulgação/Alece

Ao longo da pandemia da Covid-19, que recentemente completou dois anos, as mulheres experimentaram um maior isolamento, passaram a conviver mais tempo com seus agressores, viram a renda familiar decair, as tensões domésticas aumentarem e ainda ficaram mais distantes das redes de proteção. Esse cenário foi identificado pela 3ª edição da pesquisa “Visível e invisível - A vitimização de mulheres no Brasil” realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública junto ao Instituto Datafolha em maio de 2021.

A pesquisa apontou que, nos 12 meses anteriores a sua realização, uma em cada quatro brasileiras acima de 16 anos sofreu algum tipo de violência física, psicológica ou sexual. O número chega a 17 milhões de mulheres.

O levantamento identificou que 72,8% dos autores das violências são conhecidos das mulheres, com “alta prevalência de violência doméstica e intrafamiliar”. Ainda nesse ponto, 48,8% das vítimas relataram que a violência mais grave vivenciada foi dentro de casa, o que coloca a própria residência como o espaço de maior risco para as mulheres.

Também do Fórum, o relatório “Violência contra mulheres em 2021”, publicado nesta semana, aponta que, entre março de 2020 e dezembro de 2021, ocorreram 2.451 feminicídios e 100.398 casos de estupro e estupro de vulnerável de vítimas do gênero feminino.

Estatísticas são assustadoras, aponta deputada

Para a deputada Aderlânia Noronha (SD), “como se não bastassem todas as adversidades que nós, mulheres, enfrentamos, muitas de nós ainda somos vítimas de algum tipo de violência. São assustadoras as estatísticas de feminicídio no país, em muitos casos, por motivos banais”.

Raquel Bastos, advogada da Procuradoria Especial da Mulher (PEM) da Assembleia Legislativa do Ceará, opina que o isolamento social e maior convivência em casa durante a pandemia deixou ainda mais claro que a violência doméstica não se restringe à violência física.

“Muitas vezes a mulher estava inserida em um relacionamento abusivo, sofrendo violência psicológica, moral e não se dava conta. Com a proximidade e convivência maior, foi-se percebendo a delineação desse perfil de agressão, que não se restringe apenas a física", explica.

A advogada relembra que a Procuradoria buscou abordar esses tipos de violência nas lives realizadas nas redes sociais e palestras virtuais como forma de informar as mulheres e permitir que identificassem se as situações que estavam vivendo se encaixavam na violência doméstica, seja física, psicológica, moral, sexual ou material.

Como fazer denúncias

A deputada Augusta Brito (PCdoB), procuradora especial da mulher da Alece, acrescenta que, durante a pandemia, houve maior dificuldade de fazer os registros nas delegacias por questões como o isolamento social, uma vez que muitas mulheres estavam sob constante vigilância e companhia de seus agressores.

Entendendo a importância de acesso à denúncia e ajuda, o Poder Legislativo criou, por meio da Procuradoria Especial da Mulher, o Zap Delas, um canal que, por meio de mensagens pelo WhatsApp, permite que as mulheres relatem casos de violência ou peçam orientação. O número do Zap Delas é (85) 99814-0754.

“Criamos esse mecanismo para ser mais uma porta de acesso do pedido de ajuda por percebermos as dificuldades durante o período de pandemia para fazer as denúncias”, afirma Augusta Brito.

Na última terça-feira (08/03), Dia Internacional da Mulher, a Assembleia inaugurou ainda a nova sede da Procuradoria Especial da Mulher da (PEM) da Casa, que reúne diversos serviços de atendimento para a população.

Saiba mais                                                            

Os vários tipos de violência aos quais as mulheres estão vulneráveis afetam suas vidas, autoestima, saúde, relações sociais, afetivas e de trabalho. Diante de impacto tão devastador, ações de apoio e acolhimento pelo poder público e pela sociedade são essenciais para a reconstrução dos próprios caminhos.

A primeira-dama da Alece e líder do Comitê de Responsabilidade Social da Casa, Cristiane Leitão, destaca ações realizadas pelos Núcleos de Saúde Mental e de Prática Sistêmicas e Restaurativas, que trabalham com grupo de mulheres por meio de círculos restaurativos dentro da cultura de paz e a partir de um trabalho sistêmico para o resgate e cura.

Na mesma linha de abordagem, o Centro de Mediação e Gestão de Conflitos da Assembleia iniciou, na última sexta-feira (11/03), o projeto "Mediando em Círculos", com foco nas necessidades e sentimentos de pessoas vítimas da violência através da escuta e dos círculos restaurativos.

Sobre a série

A primeira matéria da série da Agência de Notícias da Assembleia Legislativa sobre os impactos da pandemia na vida das mulheres abordou a sobrecarga de trabalho enfrentada neste período.

A segunda matéria sobre a vida das mulheres durante a pandemia tratou da saúde mental neste período e a importância do autocuidado. A quarta e ultima matéria da série tratará sobre as contribuições do Parlamento, por meio de projetos de leis e de indicação apresentados por deputados e deputadas para tentar amenizar os impacto da pandemia no dia a dia das mulheres.

Da Agência de Notícias da Alece

 

Núcleo de Comunicação Interna da Alece

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