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Terça, 14 Setembro 2021 18:20

"Suicídio: Prevenção e Posvenção" mobiliza servidores em Webinar Destaque

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Psicóloga Lucinaura Diógenes expôs sobre o tema para os servidores Psicóloga Lucinaura Diógenes expôs sobre o tema para os servidores Foto: Júlio Sonsol/ Núcleo de Comunicação Interna da Alece

A Célula de Qualificação dos Servidores, da Escola Superior do Parlamento Cearense (Unipace), apresentou o Webinar sobre o tema “Suicídio: Prevenção e Posvenção” foi abordado nesta terça-feira (14/09). A exposição foi feita pela psicóloga Lucinaura Diógenes, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental Aplicada a Diferentes Contextos e Tendências, e fundadora do Instituto Bia Dote, organização sem fins lucrativos que trabalha com saúde mental, prevenção e posvenção do suicídio, com atuação em Fortaleza e Região Metropolitana. O Webinar foi uma ação relacionada ao Setembro Amarelo pelo Núcleo de Saúde Mental da Alece, com o apoio da Unipace.

O Webinar foi promovido dentro das ações do Setembro Amarelo promovidas no Poder Legislativo. As atividades estão sendo realizadas pelos Núcleos de Saúde Mental, de Práticas Sistêmicas Restaurativas e de Mediação e Gestão de Conflitos, do Departamento de Saúde e Assistência Social (DSAS) e da Frente Parlamentar em Defesa da Saúde Mental e Combate à Depressão e ao Suicídio.

A expositora ressaltou durante a apresentação que a posvenção é ainda um termo pouco utilizado, mas se trata da acolhida. Ela revelou que a fundação Bia Dote foi criada após o suicídio de sua filha Bia. “A gente estava no luto, com o coração partido, e começamos a fazer ações que faziam parte de nossa vivência. Queríamos acolher famílias enlutadas por suicídio. Neste propósito, fomos nos sentindo pertencentes a este universo”, recordou.

O início do instituto, segundo a fundadora, foi marcado com a  realização de palestras em Fortaleza e cidades da Região Metropolitana. “Nós indicávamos aos participantes, que em caso de necessidade procurassem os profissionais capacitados”, pontuou. Atualmente, o Bia Dote atua nas áreas de psicoeducação, acolhimento, plantão psicológico aos sábados (online) e grupo de leitura.

A psicóloga acentuou que ser sobrevivente de um suicídio no seio familiar não autoriza ninguém a falar sobre o assunto, mas ao mergulhar no tema, é possível acolher pessoas, desenvolvendo autoconhecimento no luto. “Se a pessoa que tenta o suicídio não for bem acolhida, as tentativas serão repetidas. O ato suicídio tem razões multifatoriais e pode ser até mesmo um ato de impulso”, afirmou. De acordo com ela, para cada ocorrência do tipo, pelo menos cinco pessoas são impactadas diretamente pelo suicídio e cerca de 60 são afetadas, na comunidade.

Números

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) o suicídio é a segunda maior causa mundial de morte entre as pessoas na faixa de 15 a 29 anos. Em Fortaleza, entre os anos de 2014 e 2020, houve 947 mortes por suicídio, conforme informou Lucinaura Diógenes. Apesar desses números não serem baixos, ela admitiu que há subnotificação, o que interfere nas dotações de recursos para a execução de políticas públicas. “As famílias preferem notificar os casos como acidente. De cada três tentativas, só uma chega a ser notificada aos agentes de saúde”, apontou.

Por conta de um tema ser ainda um tabu social, há, na avaliação da psicóloga, um subfinanciamento crônico para a saúde mental. “Antes da pandemia os países nas Américas aplicavam menos de 2% de seus orçamentos nacionais em saúde mental. E isso foi agravado durante a pandemia de Covid-19.

No Brasil, em 2012, foram registrados cerca de 30 suicídios por dia, deixando o país em oitavo lugar em números absolutos”, revelou. No Ceará, o número de casos de suicídio saiu de 566 casos em 2014, para 869 em 2020, apesar das subnotificações. “Calcula-se que somente um em cada três é efetivamente registrado”, avisou.

Por que falar em suicídio?

A abordagem do tema se faz necessária, no entender da psicóloga, porque ainda estamos longe de entender o fenômeno suicídio e sua prevenção como problema de saúde pública. “E isso é uma questão política”, asseverou. Além disso, ela considerou que a sociedade ainda está longe de entender o fenômeno suicídio e sua prevenção como um problema de saúde pública.

Apesar de ser um ato com múltiplas possibilidades de motivação, o suicídio tem alguns comportamentos que se repetem em muitos casos. São eles a ideação suicida, o planejamento do ato, práticas de autolesões, que levam a tentativas, até a morte. “O suicídio como comportamento multifatorial e multideterminado, resultante de uma complexa teia de fatores de risco e de fatores protetores. Eles interagem de forma que dificulta a identificação e precisão do peso relativo de cada um (caso)”, explanou.

Entre os fatores de risco, Lucinaura Diógenes aponta os transtornos mentais, sofrimento psíquico, elementos psicossociais, estressores sociais e econômicos, condições clínicas incapacitantes. “A situação econômica que se agravou durante a pandemia, com certeza agrava esses fatores”, avisou. Ela frisa que entre os estressores sociais estão a violência verbal, física, sexual e patrimonial; preconceitos, racismo, LGBTQIA+ fobia, precarização das relações de trabalho, desmonte das garantias sociais e desemprego.

Também são fatores precipitantes, segundo a psicóloga, os transtornos mentais, desilusão amorosa, separação conjugal, perda de emprego, humilhação, constrangimento e falência. Os fatores de proteção às vidas ameaçadas, explicou a psicóloga, são a estrutura familiar, fatores socioculturais e o acesso à saúde mental.

Como agir

Para quem tiver proximidade com uma pessoa que insinua a vontade de se suicidar, Lucinaura recomenda escutar, expressar respeito pelo sofrimento, perguntar o que a pessoa precisa ou como acha que pode ser ajudada, auxiliar a enxergar saídas e apresentar possibilidades de ajuda profissional e serviços especializados, como Centros de Apoio Psicossocial e serviços de ajuda.

Na abertura do evento, a primeira-dama da Assembleia Legislativa do Ceará, Cristiane Leitão, destacou que o combate à depressão e ao suicídio tem sido o cerne da campanha "Setembro Amarelo", que vem sendo desenvolvida pela Casa.

“Estamos levando esse despertar para toda a sociedade, mostrando a importância da escuta. A pandemia tem trazido muito luto às nossas famílias, o que agravou o quadro de ansiedade e depressão que muitas vezes leva ao suicídio. Daí o convite à psicóloga para abordar o tema”, assinalou, lembrando que o movimento de conscientização será levado para o ano inteiro. “Começamos um trabalho itinerante aos municípios, com a Oficina Despertar”, informou aos servidores que participaram do Webinar.        

JS

 

Núcleo de Comunicação Interna da Alece

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Lido 662 vezes Última modificação em Quarta, 15 Setembro 2021 14:23
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