Fortaleza, Sexta-feira, 21 Janeiro 2022
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Quando a realidade ainda está envolta pela pandemia do Coronavírus, restringindo praticamente todas as nossas atividades cotidianas do trabalho ao lazer, dedicar algum tempo dos horários livres para assistir uma série de fantasia pode ser uma boa opção. É o que pretende a nova série da HBO The Nevers, que está já está no seu quarto episódio, exibida pelo canal fechado do Streaming. Quem perdeu os primeiros episódios, pode recorrer ao HBO GO para se atualizar e acompanhar essa instigante história. A cada domingo, o canal por assinatura exibe um capítulo inédito.

Tudo começa em agosto de 1896, na Inglaterra, durante o período em que o país é comandado pela rainha Vitória. A capital Londres é surpreendida por um acontecimento sobrenatural. Objetos não identificados despejam pontos de luz sobre a cidade, causando modificações nos seres humanos, principalmente nas mulheres. Isso faz com que os atingidos passem a ter habilidades raras de vários tipos, e até mesmo transformação nas estruturas corpóreas. Cada pessoa é afetada de uma forma diferente. Algumas mudanças parecem ser superpoderes, e surgem outras, como o dom de falar várias línguas e de se tornar gigante.

Independentemente de tudo, todos os que pertencem a este grupo de pessoas estão em grande perigo. As pessoas 'normais' passam a olhar com desconfiança para os "tocados", como são referidos pela sociedade, ao ponto se transformarem em alvos de ações deletérias. O roteiro faz uma alegoria aos preconceitos até hoje existentes contra pessoas que não estão totalmente enquadradas pelas expectativas do senso comum.

Sobre a trama

O personagem principal que conduz a trama é a misteriosa e rápida viúva Amalia True (Laura Donnelly), ao lado da brilhante jovem inventora Penance Adair (Ann Skelly), que é capaz de criar objetos totalmente inusitados na época. As duas se unem para proteger e acolher as "tocadas" num antigo orfanato. Para isso, vão ter que enfrentar as forças implacáveis que estão determinadas a aniquilar a sua espécie.

É esta a premissa para The Nevers. A primeira temporada, conforme a plataforma,  está dividida em duas partes de seis episódios. Ainda não há data prevista para a estreia da segunda parte. Entre os pontos que se destacam  estão a cenografia, que retrata com muita propriedade a época vitoriana, os figurinos e o design de produção, que dá uma grandioso  impacto  visual ao drama histórico londrino. Trata-se de uma história de ficção científica e fantasia que ainda inclui momentos cômicos e românticos, pelo menos até o quinto episódio.

A cultura de patriarcado branco parece estar em pânico com este acontecimento repentino. Mas há mais facções vilãs envolvidas na narrativa. Existe um grupo de pessoas que ganharam habilidades especiais, o que resulta em uma organização terrorista, suspeita de cometer homicídios e raptos.  Sua fama de terror está a colocar um alvo nas costas de todos aqueles entre “os tocados”. Também tem destaque de coadjuvante da trama o detetive Frank Mundi (Ben Chaplin), que lidera as investigações sobre os crimes praticados pelos "tocados do mal".

É uma série sobre perseguição e poder e que acaba por abordar temas relevantes à nossa sociedade contemporânea. O responsável pela primeira metade da temporada é Joss Whedon, o criador de “Buffy, Caçadora de Vampiros” e argumentista de “Os Vingadores” e “Liga da Justiça”, por exemplo.

The Nevers tem um realismo sobrenatural. Narrativas complexas, poderes fantásticos e assuntos reais juntam-se nesta produção colorida e cheia de suspense. Algumas personagens mantêm esta história de outros mundos com os pés na terra. Uma investigação com suspense e batalhas carregadas de ação fazem a história mover-se rapidamente. E todos os cenários luxuosos e figurinos ambiciosos, dos esgotos de Londres até à alta sociedade, formam uma loja de doces visual de nostalgia histórica.

Serviço: The Nevers. Direção: Joss Whedon. Gênero: Drama/Ficção Científica. Elenco principal: Laura Donnelly (Amalia True), Nick Frost (Declan Orrun aka The Beggar King), Olivia Williams (Lavinia Bidlow), Amy Manson (Maladie), Anna J. Devlin (Primrose Chattoway) e Ben Chaplin - Detective Frank Mundi). Em exibição nos canais HBO e HBO GO.

JS

 

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Publicado em Agenda Cultural

O Assalce Lives está de volta, em edição especial, nesta sexta-feira (23/04), com o tema "Reinvenção Cultural - As Novas Formas de Consumir Arte". A Cultura e a Arte estão entre os setores mais atingidos com as restrições impostas pela pandemia do Coronarvirus. Porém, como os setores são sinônimo de criatividade, souberam se reinventar e aproveitar as plataformas digitais existentes para manter-se atuantes.

Para falar sobre esse tema, a Assalce convidou os jornalistas Salomão de Castro e Júlio Sonsol. Eles vão participar de uma conversa com a jornalista Arituza Timbó, mediadora das lives da Associação dos Servidores da AL. O Assalce Lives será realizado às 16 horas, no Instagram da Associação (@assalceoficial).

No bate-papo, os jornalistas irão dissertar sobre a capacidade que os setores tiveram para se reinventar e ocupar espaços antes pouco explorados.

Filmes concorrentes ao Oscar 2021 e o streaming

No encontro, também, vai rolar uma boa conversa sobre os filmes que estão concorrendo ao Oscar 2021, que acontecerá neste domingo (25/04). Apaixonados por cinema, Salomão e Júlio mostrarão suas impressões sobre as películas e nos informarão sobre as plataformas de streaming que estão disponibilizando os filmes, já que as salas de projeção estão fechadas.

O Oscar 2021 tem oito concorrentes ao prêmio de melhor filme. O líder de indicações é Mank, indicado em dez categorias. Na sequência, concorrendo a seis prêmios cada, estão Judas e o Messias Negro, Meu Pai, Minari, Os Sete de Chicago, Nomadland e O Som do Silêncio. Já Bela Vingança é candidato a cinco estatuetas.

Confira como assistir aos filmes concorrentes no link https://bit.ly/3n3jyUt.

SC

 

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Publicado em ASSALCE

Em tempos de isolamento social, não deixa de ser curioso que um dos principais filmes da atual safra de premiações se debruce sobre o cotidiano de um homem recluso em seu espaçoso apartamento londrino. No entanto, o gancho que vincula a trama de Meu Pai ao confinamento coletivo a que fomos impostos fica por aí: inspirado na peça teatral homônima de autoria do diretor e co-roteirista Florian Zeller, o filme trata da saga de Anthony (Anthony Hopkins), que, aos 81 anos de idade, passa a ser acometido pela demência, o que traz consequências desagradáveis para ele e sua filha Anne (Olivia Colman).

A base teatral não limita a experiência cinematográfica proporcionada por Zeller e seus colaboradores, mas cabe o alerta de que aqueles e aquelas que testemunharam casos de demência em suas famílias devem estar preparados e ter nervos fortes para seguir no longa-metragem de 96 minutos. Este é um filme em que a vivência pessoal (que inclui situações semelhantes vividas por familiares ou amigos) de quem está diante da tela do streaming pesará no acompanhamento da trama.

Feito esse alerta, deve-se registrar também que são muitas as qualidades do filme. A principal delas reside na opção de Zeller por registrar integralmente a narrativa sob o ponto de vista do seu protagonista, por meio do recurso da câmera subjetiva, conforme a gramática da crítica cinematográfica. Esta escolha central situa o filme em um patamar diferenciado, por não fazer concessões ao público, pois a proposta do cineasta é a de que mergulhemos na mente de Anthony e assim compreendamos sua confusão diante da perda progressiva das faculdades mentais.

O roteiro, a cargo de Zeller e de Christopher Hampton (Ligações Perigosas), interage de forma orgânica com a direção, sem cenas desnecessárias ou recursos melodramáticos que, em outras mãos, reduziriam os méritos do filme. Mas, que fique claro: é a atuação de Hopkins que faz de Meu Pai uma experiência cinematográfica acima da média. Como sua principal parceira de cena, Olivia Colman tem um desempenho que oscila entre o sofrimento e a condescendência com que Anne procura conduzir a situação, dividida entre cuidar do pai e tomar a decisão de passar a residir em Paris, na França.

Premiação britânica impulsiona filme rumo ao Oscar

No último domingo (11/04), a Academia Britânica, o Bafta, concedeu a Meu Pai os prêmios de melhor ator (Hopkins) e melhor roteiro adaptado (Zeller e Hampton). A premiação inglesa em duas categorias importantes pode representar um reforço na campanha de Meu Pai na atual edição do Oscar, que concederá seus prêmios no dia 25 de abril. O longa de Zeller tem seis indicações, nas categorias de melhor filme, ator (Hopkins), atriz coadjuvante (Colman), roteiro adaptado, montagem e design de produção. Até agora, uma eventual vitória de Hopkins encontra maior obstáculo na indicação póstuma ao Oscar de melhor ator para Chadwick Boseman, por “A Voz Suprema do Blues”.

Cabe lembrar que três dos indicados já têm estatuetas no currículo: Hopkins como melhor ator por “O Silêncio dos Inocentes” (1991), Colman foi escolhida melhor atriz por “A Favorita” (2018) e Hampton venceu o prêmio de melhor roteiro adaptado, com “Ligações Perigosas” (1988).

O filme está disponível no streaming pelo Apple TV (iTunes), Now, Google Play e YouTube.

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Publicado em Agenda Cultural

“Mais uma dose?
É claro que eu estou a fim
A noite nunca tem fim
Por que que a gente é assim?”

Os versos da canção “Por que a gente é assim”, de Cazuza, se encaixam bem à premissa do diretor e roteirista Thomas Vintemberg e do co-roteirista Tobias Lindholm do filme dinamarques  Druk - Mais uma Rodada, que conta a história de quatro professores em um contexto bem peculiar. Eles estão às voltas com problemas em suas vidas, testando a teoria de que ao manter um nível constante de álcool (0,05%) nas correntes sanguíneas, suas existências irão melhorar. De início, os resultados são animadores. Porém, no decorrer da experiência, eles percebem que nem tudo é tão simples assim.

Indicado ao Oscar de melhor filme internacional e melhor diretor, Druk aponta que o definidor da quantidade ideal de álcool ideal reside na reação do outro. Uma leitura é a de que pode-se  beber um pouco para se livrar de um nervosismo, mas talvez seja necessário mais do que isso para dançar em uma festa lotada sem vergonha alguma. Não ter vergonha alguma, por outro lado, pode não ser o ideal no contexto de uma reunião pedagógica, por exemplo. Como a trama trata de professores e alunos, tem-se aqui a interação entre as gerações tendo o uso do álcool como elemento comum. As consequências são variadas para os dois grupos.

Sobre a trama

O filme conta com o convicente trabalho do ator Mads Mikkelsen, que já interpretou o jovem Hannibal Lecter, em Hannibal . Em Druk, ele é Mark, o líder do grupo de professores que falseiam um propósito científico com o objetivo de lhes permitir ingerir diariamente boas doses de bebidas alcoólica, com o pretexto de que o consumo sob controle irá melhorar o despenho de todos em suas atividades laborais.

Trata-se de um filme necessário. Logo no início, há uma competição entre jovens de uma escola que bebem alucinadamente antes de um corrida, transmitindo ao público elevadas doses de euforia da juventude, com a proposta de que se possa desfrutar de cada instante da ainda curta existência. Essa euforia, no entanto, faz contraponto com os professores, que, com o amadurecimento, chegam à melancolia da meia-idade.

Em Druk, a bebida alcoólica funciona como pequenas doses de existencialismo sartreano ou de Camus. Partindo da premissa de que nada somos, nos tornamos, somos construção, a exemplo do que falam pensadores como John Searle e Ludwig Wittgenstein, o filme faz todo o sentido. Há também o entendimento prévio de que o mundo é a totalidade dos fatos e não das coisas. Assim, esta construção não se trata de formação de individualidades, mas como somos em relação aos outros.

Druk foi também indicado ao Globo de Ouro de melhor filme em língua estrangeira, mas foi derrotado por Minari, que foi rodado nos Estados Unidos, embora seja falado em coreano. No último domingo (11/04), foi premiado na mesma categoria pelo Bafta, a Academia Britânica. também tendo sido selecionado pelo Festival de Cannes de 2020. Thomas Vinterberg tem em seu currículo filmes como Longe deste insensato mundo, Kursk, A Comunidade e A Caça, que concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro (atual categoria de melhor filme internacional) em 2012. O filme está disponível nas plataformas YouTube e Google Play.

JS/SC

 

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Os fãs do cinema nacional têm uma relação de antipatia com o ator e cineasta italiano Roberto Benigni que remonta a 1999. É que, naquele ano, “A Vida é Bela”, película que abordou o Holocausto com viés cômico, venceu o Oscar na categoria melhor filme estrangeiro, superando o brasileiro “Central do Brasil”, de Walter Salles, estrelado por Fernanda Montenegro. Eis que, 22 anos depois do episódio, Benigni está de volta às telas (desta vez no streaming), como Gepeto, pai do protagonista de “Pinóquio”, atualização da fábula infantil, dirigida pelo italiano Matteo Garrone.

Apesar da tendência de se buscar uma comparação direta com a animação de Walt Disney, de 1940, esta versão tem tom próprio, mais adulto e realista. Na trama, Gepeto dá vida ao boneco de madeira Pinóquio (Federico Ielapi), que enfrenta diversos percalços em busca de se tornar um garoto de verdade. A narrativa traz os episódios presentes no livro original, com personagens como o Grilo Falante, a Fada Azul e a baleia que ainda assusta a quem vier a conferir o filme, mas dá maior destaque a alguns episódios, se comparados a outros.

Merece destaque a produção caprichada, com reconstituição dos desenhos originais do livro por meio dos recursos de que o cinema dispõe, como os cenários, efeitos visuais discretos (mas bastante eficientes), figurino e maquiagem (nos dois últimos casos, ambos indicados ao Oscar, que será realizado no dia 25 de abril). A trilha sonora pontua de forma singela o filme, cuja fotografia em tons pasteis apresenta ao público, evidentemente, um produto bem menos colorido que a animação dos estúdios Disney.

O novo “Pinóquio”, certamente, agradará mais aos adultos, mas pode ser visto sem reservas pelas crianças que já possuem certa compreensão sobre questões relevantes nas nossas vidas. Em tempos de “novo normal”, fica a dica para que seja assistido como uma “sessão família”, por pais e filhos.

Se você torce o nariz para Benigni, releve e procure aproveitar o que o filme tem de bom. “Pinóquio” tem qualidades bem superiores ao algoz de “Central do Brasil” e também injustamente vencedor do Oscar de melhor ator em 1999, quando derrotou as atuações – muito superiores – de Tom Hanks (“O Resgate do Soldado Ryan”), Nick Nolte (“Temporada de Caça”), Ian McKellen (“Deuses e Monstros”) e Edward Norton (“A Outra História Americana”). Chegou a hora de superar o 7x1 que tivemos para o cinema italiano, há 22 anos.

Serviço: “Pinóquio”. Direção: Matteo Garrone. Elenco: Roberto Benigni, Federico Ielapi e Rocco Papaleo. Duração: 2h05min. Disponível para compra nas plataformas de streaming.

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